segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cuidado com o F.O.M.O - Quem não consegue se desligar do mundo virtual sofre de F.O.M.O, patologia causada pela ansiedade digital.

Ando reunindo informações e opiniões a respeito do “mal do século” (seria mais correto chamar de mal do minuto dada a velocidade com que as coisas acontecem e desacontecem na era digital). É o F.O.M.O,  fear of missing out, em português , “medo de estar perdendo algo”. Algo que eu deveria, neste exato segundo, estar twitando, postando, curtindo, enviando, fotoblogando, conectando, midiasocializando.  Uma das conseqüências danosas da doença FOMO é a indigestão crônica da quantidade de informação engolida e não processada. As mulheres da nossa rede Habla trouxeram, como tendência e desejo, a necessidade de uma dieta  blackout regular,  um pedido de socorro de quem quer voltar a olhar para o ser da mesma espécie e falar com ele sem ter que acionar a tecla enviar. A jornalista Lucia Guimarães, do Estadão,  publicou no último sábado uma entrevista genial com o escritor russo-americano Gary Shteyngart, autor do recém- lançado romance Uma História de Amor Real e Supertriste, em que falaram do assunto em trechos como os que reproduzo aqui:
numa universidade novaiorquina, há um estranho curso de orientação para calouros. É uma espécie de fisioterapia verbal para quem só consegue se comunicar em torpedos ou via Facebook. Privados de seus smartphones, os alunos vão para a frente da turma e tem que aprender a se apresentar:
Eu sou fulano, nasci em tal lugar, vim para cá por tal e qual motivo..”
Houve um tempo em que éramos julgados, em parte, pela capacidade de interagir com nossos companheiros de espécie biológica. ‘Hoje”, lembra Shteyngart, “celebramos esquisitões antissociais como  Mark Zuckerberg. Não saber se expressar virou um charme. É o autismo verbal como virtude.
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Fonte: Habla