Quando a dificuldade não é o limite.
Fábio de Queiroz Rigueira, 39 anos, é
vice-campeão da travessia Mar Grande/Salvador de natação (classe
especial), surfista nas horas vagas e ciclista profissional, praticante
do chamado “cicloturismo” – atividade que não visa a competição e
consiste em realizar viagens utilizando somente a bicicleta. Além disso,
Fábio é estudante de Engenharia Civil na Faculdade de Tecnologia e
Ciências (FTC), trabalha como assistente do Poder Público, na Companhia
de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), e é músico. Ele toca
guitarra, violão e bateria e faz pequenas apresentações com um grupo de
amigos em barzinhos e festas em Salvador. Achou muita coisa? Então
imagine fazer tudo isso com apenas uma perna. Pois é assim que Fábio
vive, sem prótese, com a ajuda de muletas.
Na natação, além do vice-campeonato na
travessia Mar Grande/Salvador, em 1998, Fábio também foi vice-campeão no
torneio Norte/Nordeste do Circuito Loterias Caixa, em 2011, mesmo sem
apoio financeiro e de patrocinadores, uma carência dos paratletas.
“Quando eu estava treinando, via uma certa dificuldade, pois tentava
apoio e não conseguia. Era muito mais fácil conseguir incentivo de
amigos ou de lojas pequenas”, lembra. Segundo ele, dos seus dez amigos
deficientes físicos que também praticam esporte, apenas dois possuem
patrocínio de grandes órgãos, como é o caso da paratleta Mônica Veloso.
Em cima de duas rodas, foi em dezembro
do ano passado que Fábio realizou um grande sonho que teve origem em
1998: pedalou 18 horas no percurso Aracaju/Salvador juntamente com os
amigos Vitor Leonel e Josafá Varjão – o relato dessa aventura está no blog de Fábio.
A sua próxima “cicloviagem” será no dia 7 de junho, quando irá realizar
o percurso Maceió/Salvador. Os treinos e a preparação, que já
começaram, contam com uma rotina de trabalho que tem início às 5 horas
da manhã e inclui musculação, pilates e spin bike, além de uma
alimentação balanceada.
Em uma vida recheada de metas e
conquistas, Fábio busca ainda dois grandes sonhos. O primeiro é
transformar a sua história de vida em uma palestra para as crianças do
Grupo de Apoio a Crianças com Câncer (GACC), lugar onde ele foi tratado na infância. O segundo é participar de uma das maiores provas de atletismo do mundo, o “Ironman Triathlon”,
que conta com aproximadamente 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e
42 km de corrida. “Tudo para o homem é possível quando se acredita”,
afirma.Fonte:Impressão Digital